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segunda-feira, 14 de abril de 2014 Economia, Política | 08:59

Sem utopias e com violência, o ano vai ser difícil, diz a economista Maria da Conceição Tavares

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A professora Maria da Conceição Tavares completará 84 anos no próximo dia 24. Ao seu modo, com um olhar sobre a economia brasileira, muitas hipérboles e uso desenfreado de palavrões, a economista costuma soltar sua birra contra os céticos – gente desabrida que, nos últimos anos, não enxergou as mudanças de um Brasil de pleno emprego, salário mínimo elevado e melhor distribuição de renda com ascensão social das bases (e lixe-se a questão se temos PIB ou “pibinho”).

Diz ter deixado de ler economia para não se irritar com o “festival de besteira”, admite possivelmente estar ultrapassada e velha e, há pouco tempo, afirmou que não dá para ser nem ultraotimista nem ultrapessimista, mas “moderadamente otimista”.

InteligenciaNum belo depoimento à revista Insight-Inteligência, no entanto, Maria da Conceição Tavares mostrou-se menos moderadamente otimista do que admite. “As pessoas estão perdidas, não sabem como se guiar do ponto de vista político, econômico”, afirmou à revista, cujo versão em blog é parceira do iG. “E com isso a história parece que não se move. O futuro fica ilegível, amorfo”.

É um desabafo a se enxergar não o estreito limite de 2014, da sucessão presidencial ou da avaliação de um governo. Antes, trata-se de um despejo de sombra sobre nossa época, o que ela chama de “era das distopias”.

A professora usa palavras conceitualmente duras para definir esses tempos fraturados (expressão emprestada do historiador marxista Eric Hobsbawn) e vê pouca luz na produção intelectual. O mundo reformista vai mal, e o mundo revolucionário também, afirma Conceição. Diz ela:

 “O pensamento social está muito atrasado, muito desminliguido. O pensamento reformista sumiu. Agora, o que há é uma espécie de naturalismo. (…) Naturalizou-se uma concepção de vida social a respeito da qual se passou um século inteiro combatendo. Mais: ao contrário do século XX, que organizou as massas, os sindicatos poderosos, organizações internacionais festejando o progresso, agora todos os interesses se fracionaram, se fragmentaram,”

Sem movimentos utópicos

Para a professora, a história não ilumina mais o futuro, na forma de uma ideologia. Desde o século XVIII, os movimentos políticos, sociais e econômicos deixaram de se orientar pela ideia de tradição, substituindo-a pela convicção de um futuro diferente e melhor. A história tinha um sentido, um objetivo, uma utopia: criar uma sociedade mais livre e igualitária.

O século XIX foi pautado pela busca da liberdade – liberdade do indivíduo, liberdade política, liberdade econômica. Depois, no século XX, veio a busca pela igualdade. Da Revolução Francesa e a promessas de liberdade do século anterior à Revolução Russa e a promessa do reino da igualdade.

Essa orientação histórica dupla – de um lado a liberdade; do outro a igualdade – acabou no final do século XX, conclui a professora. “A história deixou de iluminar o futuro para os economistas, os políticos, os ativistas”, disse ela à Inteligência. “As vanguardas desapareceram. Com o esboroamento das utopias, esvaíram-se também as ideias de socialismo, do Estado de bem-estar e o planejamento econômico”.

Ou seja, o mercado e o neoliberalismo mostraram-se incompatíveis com a ideia de sociedade organizada e de Estado planejador. Os antigos receituários perderam seu sentido. “Vemos a sociedade mexer-se, mas a forma superestrutural de fazer política parece não andar para lugar nenhum”.

Um exemplo? “Como se elege um negro nos Estados Unidos e não acontece nada?”, questiona Conceição. “Era para ter acontecido, bem ou mal, uma mudança de paradigma, de comportamento social”.

A presidente Dilma Rousseff entrega Prêmio Almirante Álvaro Alberto para Ciência e Tecnologia à professora Maria da Conceição Tavares: "Parece que tudo se esvai no arroz com feijão"

Maria da Conceição Tavares recebe da presidente Dilma Rousseff Prêmio Almirante Álvaro Alberto para Ciência e Tecnologia: “Parece que tudo se esvai no arroz com feijão”. Foto: Roberto Stuckert Filho/PR

O ódio no lugar da utopia

Planejamento pode significar um palavrão para liberais e neoliberais, mas a dificuldade, segundo ela, é pensar um guia de ação: “Parece que tudo se esvai no arroz com feijão”. Não há um plano no governo, mas também nos sindicatos – “todos aparvalhados” – e na classe média. “Não sei até que ponto o povo propriamente dito precisa de utopia. Mas a classe média precisa”, afirma a professora. “Não tendo, ela transforma sua mágoa em ódio”.

Segundo ela, quem promove a violência hoje não são os deserdados da terra, para quem as coisas melhoraram. A violência vem da classe média baixa. “Não tem energia utópica, só através da violência. Não tem utopia, só distopias. É só o aqui, agora; quero derrubar isto, quero derrubar aquilo. Não tem um objetivo programático”.

Conceição chama de “manifestações de araque” e acha tudo “coisa esquisitíssima, enlouquecida”. É uma fragmentação que, segundo ela, afeta partidos políticos, sindicatos e todas as demais organizações da sociedade que levaram muito tempo para serem criadas. “Esses garotos de merda vão para o pau pedir o quê?”, questiona, referindo-se aos “máscaras negras”, os black blocs.

Se os garotos de máscaras são “repugnantes”, a imprensa também não diz nada, completa. “Faz uma confusão” e torce “para que haja morte de um menino desses”.

Transição ou apodrecimento?

“Acho difícil saber para onde vamos”, afirma a professora. “O que ocorre hoje pode ser uma transição ou um apodrecimento. Transição não sei para o quê, porque não há uma utopia prévia”.

Conceição se vê diante de uma sensação de impotência, coisa de quem foi uma adolescente na primeira metade do século XX, uma época mais organizada em matéria de proposição.  Hoje, ela admite, parece difícil enxergar causas capazes de servir a tantos interesses fracionados. “Diga-me um autor relevante que não esteja pensando dessa maneira, prostrado pela falta de alternativas? Não há ousadia em nada, pelo menos do ponto de vista do pensar”.

Por isso, diz ela, não gosta de dar entrevistas: “Não quero engrossar o coro de lamentação dos intelectuais”.

A idade do ceticismo

Pode ser a idade, como ela diz, mas nos últimos tempos a professora nunca se mostrou exatamente otimista. Nem com os políticos, nem com os economistas, nem com os intelectuais.

Tive o privilégio de visitá-la três ou quatro vezes em seu apartamento, no bairro de Laranjeiras, no Rio de Janeiro. Sempre com a companhia de um amigo comum, o jornalista Luiz Cesar Faro (o artífice dos encontros, diga-se), as entrevistas destinavam-se a colher depoimentos sobre dois liberais – o economista Eugênio Gudin e o jurista Bulhões Pedreira – e um economista de quem foi discípula, o argentino Raúl Prébisch.

Em todos os encontros era inevitável tentar arrancar da professora análises sobre a conjuntura, o governo de plantão e o embate político-econômico do momento. Nunca faltaram palavrões contra alguns dos adversários e lamentos pelos intelectuais. (Uma vez afirmou que não sabia onde se escondiam os jovens intelectuais capazes de exibir ideias inovadoras).

No Brasil desde 1953, quando desembarcou aos 23 anos de idade e se deixou envolver pelo otimismo brasileiro daquela década e pela intelectualidade carioca, a portuguesa se apaixonou pelo Brasil, pelo sonho de Brasília, pela Bossa Nova e pelo desenvolvimentismo.

Desde então participou de quase todas as polêmicas econômicas, do Brasil e da América Latina. Ajudou a formar diversas gerações de economistas, sendo professora de Dilma Rousseff, José Serra, Pedro Malan e Aloizio Mercadante, entre outros. Foi aluna de economistas de visão radicalmente oposta à sua, como Octávio Gouvêa de Bulhões e Roberto Campos.

Por tudo isso, não é bom presságio ver uma pensadora provocadora e apaixonada enxergar um “futuro amorfo” para a nossa era. O melhor da professora, porém, não é quando ela dá uma de pitonisa. Mas há um alento: ela acha que esse ciclo vai passar – não se sabe quando, mas torce que não seja longo.

Leia o artigo de Maria da Conceição Tavares publicado na revista Insight-Inteligência na íntegra.

 

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40 comentários | Comentar

  1. 90 Rafael Ranalli 14/04/2014 20:35

    Pode ela ser hiperbólica, pode ela ser uma jesuíta trágica. Ou ainda uma peça de teatro quando se esperava uma aula…É um nervo exposto, esgrimindo entre Economia e Política, nosso Padre Antônio Vieira da economia.

  2. 89 hiperboria 14/04/2014 19:33

    sera que no fim da entrevista ela chorou .

  3. 88 rafael 14/04/2014 19:00

    Muito boa sua visão sobre melhora social ( menos fome ) e renda . E questão de conflito de CLASSE . O estudado quando vê o pobre frequentando o mesmo Bar,o mesmo Avião na maioria da vezes fica puto .
    Porque ele ( estudado ) não aceita que o pedreiro e domestica analfabetos tenham a mesma ou quase a mesma grana que eles .
    Isto e o maior motivo de ser contra o Governo

  4. 87 hba 14/04/2014 17:53

    Seria bom se a petrobras devolvesse todo dinheiro que ela gastou do BNDS com as fabricas da gasolina 50 em capuava e paulinea e nem inaugurou estar tudo enferrujando e ninguém fala nada os elefantes continua passando por debaixo da ponte.

  5. 86 carlos 14/04/2014 17:28

    a verdade é uma só: é preciso investir na educação do povo.
    do povo que prefere o bolsa-família a batalhar uma colocação….
    do povo que acampa em qq terreno baldio para pedir moradia….
    do povo que anda de carro bacana e joga bituca e cinza de cigarro pela janela…
    do povo que não cumpre as regras e não paga os impostos que devem…
    do povo que prefere pão e circo a ter que refletir sobre como melhorar seu país…
    do povo que se omite atrás de uma mascara para fazer baderna e não sabe dizer duas frases completas….
    do povo que domina a classe política e assalta os cofres públicos….
    enfim nem mais 500 anos em educação a partir de hoje resolveria mas é preciso começar.

    • EKO 19/04/2014 22:29

      Bom

    • Márcia 14/04/2014 20:49

      Ótimo!!!!

  6. 85 Antonio Luciano fernandes 14/04/2014 17:01

    Desculpem-me mas todos estão malhando em ferro frio; o problema é cultural. Não adianta haver escola em abundância (Brizolões ou outros) sem que a criança e o hovem sejam estimulados a dedicar-se ao estudo pelos pais e professores. Sejamos sinceros, de nada adiantam revoluções (esse o título da época usado pela imprena) hoje chamadas de golpe; afinal fora uma revolução ou um golpe? Em suma como os black blocs, também, os políticos e todo o povo só cobram direitos, quando se sabe que a todo direito corresponde a um dever; ou seja o estudante reclama por escolas, mas deve comparecer e estudar; alguns reclamam da ausência de hospitais, mas os que estão, como todo nós, não se dedicam ao trabalho e assim vamos dando crédito a Aristóteles que há milhares de anos dissera que (em outras palavras) do seio de uma sociedade mediocre não se colhem bons governantes, autoridades e demais autoridades. Só Deus nos livrará dessa verdade.

  7. 84 Cícero 14/04/2014 16:33

    A professora se esquece que os altos e baixo da nossa economia e cíclico. Vem dos tempos de Cabral. E no momento não espere o que o Brasil possa fazer por você, e sim, o que você pode fazer pelo Brasil. Exemplos: Pague seu impostos, não receba propina, não roube, não mate, não seja fanático religioso, trate bem seu próximo para ser bem tratado, escolha a dedo seus candidatos, não dirija bêbado, não tenha fadiga ao trabalho, antes de criticar o outro se olhe primeiro no espelho, procure dar boa formação moral e intelectual a seus filhos (não precisa ser rico), não gaste mais do que você ganha, etc… Eu por exemplo, já passei fome, mas com esforço consegui superar todos os obstáculos. Não fiquei esperando cair do céu.

  8. 83 Bruno 14/04/2014 16:29

    O PROBLEMA É MORAL. NÃO É UMA QUESTÃO DE INTELECTUALISMO. É MORAL O PROBLEMA.

  9. 82 Vera Lucia 14/04/2014 15:05

    Não querendo ser muito nerd, mas sendo o que sou, enfim; o início da reportagem nos remete ao personagem Yoda – STAR WARS – falando como o lado sombrio influencia a não visualização do futuro. E, também, nos faz refletir como o Brasil está carente de ouvir os mais velhos. Uma soberania não se faz ouvindo a juventude, mas o frescor juvenil que trazem os mestres ao final de anos de amadurecimento intelectual.

  10. 81 Jose Maria 14/04/2014 15:04

    Oi, Maria. Vais com as outras, ou só choras a cada idéia distorcida de governos mal sucedidos, iguais aos de Sarney / Lula / Dilma? Premiar o desastre é utópico, também! E agora, como fica? O Brasil real vive mentiras, o que o está levando para o fundo do buraco do terceiro mundo. Riquezas em baixa nos dão dimensão do que ocorre de errado em nossa nação. As riquezas do país estão minguando, a Petrobras destroçada por más administrações anda a passos largos para o abismo, para a falência, a Eletrobrás, idem. O Ressurgimento da inflação, o aumento dos juros, aumento da carga tributária, PIB decadente, contas públicas desenfreadas, dívida externa nas alturas, e mais o descrédito da comunidade internacional no governo o que provocou fuga de capitais, e etc. E mais, dinheiro desviado para tudo que é país de regimes totalitários, da América Latina a países da África, dinheiro dado a esses países a fundo perdido, praticando o governo Dilma ato de inconstitucionalidade, de ação de lesa pátria, ao efetuar transações internacionais sem o crivo do Congresso Nacional. Esse é o governo desastre do PT. Não é, Maria?

    • rafael 14/04/2014 19:22

      Ela falou que sucesso do PT foi, no Combate a fome e inclusão de pessoas ao Mercador Consumidor falou no aumento do emprego e da renda . Não disse que o resto esta é uma maravilha
      A inflação do Governo Dilma e maior que Governo Lula e menor do que o Governo FHC , só que os Brasileiros estão mais endividado que faz sentir mais a inflação em relação ao Governo FHC, o mesmo com JUROS
      Comunidade INTERNACIONAL e o seguinte si vc deixar o cu muito aberto e com VASELINA eles te amam ,si vc tira a VASELINA mesmo com o cú aberto eles não te amam mais .
      A carga Tributaria não esta aumentando sim, a fiscalização

  11. 80 Luiz Leite 14/04/2014 14:53

    Me perguntava durante estes 12 anos de PT, por onde andava esta Sra., pois me lembro perfeitamente de suas críticas, “com muita razão e autoridade” a respeito das políticas sociais e econômicas do PSDB. E assim como todos brasileiro me pergunto novamente, “Quando foi que caiu a ficha da Sra. quando percebeu que também foi enganada pelo PT”.
    Meu recado para a Sra. Maria da Conceição Tavares, apesar de sua idade é a seguinte: “Vá para as ruas também protestar” afinal errar é humano porém aceitar injustiça. mentiras, roubos é muita covardia!!!!!!!

  12. 79 luiz gustavo 14/04/2014 14:47

    o que falta realmente é UM BOM COMANDANTE!! Homem ou mulher honrados e honestos.

  13. 78 Alexandre 14/04/2014 14:33

    Que pessoa interessante e loquaz. Não tinha percebido o todo, a conjuntura, como se diz, e verificar o óbvio. Nada muda e nem tem motivação. Eu tenho uma ideia que pode ser maluca, mas acredito que quanto mais as informações se tornam rápidas, são facilmente diluídas e o pensamento é unânime: Ah, se meu vizinho tá igual eu fico esperando… Este tipo de pensamento foi forjado pela internet que causou o efeito do conformismo tecnológico: “pra que fazer algo se está todo mundo assim,esperando…” Antes havia a incógnita alheia, ninguém sabia de imediato sobre o outro então as coisas eram feitas no quintal do próprio país e com muita criatividade

  14. 77 UTOPIAS DE BANDIDOS! 14/04/2014 14:32

    É POR CAUSA DE TANTA UTOPIA NO LUGAR DE RESPEITO POR SI PRÓPRIO EM PRIMEIRO LUGAR, PELO SEMELHANTE EM SEGUNDO LUGAR QUE, RESUMINDO RADICALMENTE TUDO PODERÍAMOS DIZER: FALTA DE VERGONHA NA CARA DURANTE DÉCADAS DE REPÚBLICA, QUE CHEGAMOS À SITUAÇÃO ATUAL!
    Gostaria muito de enxergar o tipo de mérito em alguém ter sido professor de Dilma Roussef, José Serra, Pedro Malan, Aluisio Mercadante…
    Mérito tem quem declara que o país está nas mãos de várias quadrilhas de bandidos, travestidos de políticos, matando brasileiros às bateladas, diariamente, ao limparem os cofres públicos de todas as formas possíveis, ” IMPUNEMENTE”, sob a proteção legal de chicaneiros habilmente distribuídos nos postos mais altos dos três poderes!

  15. 76 Lourenço Marins 14/04/2014 14:26

    Parabéns Professora pela sua sabedoria e inteligência.

  16. 75 jairo temporini 14/04/2014 14:24

    Danchacon, vc foi simples, claro e objetivo. Parabéns, concordo contigo em gênero. número e grau.
    Nos ressentimos de objetividade e clareza nas intervenções do estado na vida cotidiana nacional.
    Fica claro que as mesmas são dispersivas, amenas, subjetivas parecendo que algo está no ar, um beneplácito aqui, outros mais ali e assim vamos indo.
    Creio que está na hora de cidadãos comuns de nossa sociedade, os famigerados aposentados chorões (o pesadelo do maconheiro que estúpidamente elegi e reelegi alguns anos atrás) reassumirem seus lugares e redirecionarmos nossa Nação para o desenvolvimento real.
    Tornei-me seu fã!

  17. 74 lourenço Marins 14/04/2014 14:13

    É impressionante a lucidez e a capacidade da professora de analisar o atual momento político social e sociológico mundial, com precisão e sabedoria.

  18. 73 Carlitos 14/04/2014 14:12

    Devemos refletir: Tudo no universo é precário, nada é eterno. Portanto, é mister pensar que o capitalismo não é eterno, cumpriu o seu papel histórico. Este sistema perdeu a sua capacidade de responder as necessidades da humanidade, para sobreviver precisa da miséria, da exploração, da desigualdade e da ignorância, situação impossivel de mantê-la, mas não se apontando uma saída e aí entra a questão da utopia, a barbarie pode se apropriar da humanidade. Onde que está a verdadeira corrupção, está nas negociações com as diversas direções de partidose sindicatos que dizem representar o povo, mas desenvolvem a policita de colaboração de classe, de manutenção do sistema enferrujado. O PT errou em participar destas alinças, num congresso composto por 270 deputados empresários e 160 latifundiários, por tanto não representa o povo. Por isso o plebiscito pela Constituinte está na ordem do dia. Com esse Congresso não dá. A luta pelo socialismo continua, é mais do que necessário e urgente acabar com a propriedade privada dos meios de produção e substituí-la pela propriedade coletiva dos meios de produção.

    • Celso 14/04/2014 17:30

      Prezado Carlitos, seu discurso está atrasado 200 anos! Onde já se viu dizer que o liberalismo (não é capitalismo) vive à custa da miséria dos outros? Exploração, desigualdade, ignorância? Isso era antes da Revolução Francesa. Agora, voltando para o Brasil o mal que nos aflige é a corrupção endêmica e falta de verdadeiros polítcos-patriotas para estudar, moldar, planejar e executar um plano nacional supra partidário. Situação que o “socialismo moreno” conseguiu piorar, e muito! Aliás o PT sempre foi contra tudo que interessava ao Brasil como nação. O projeto dos socilistas é internacionalizar o Brasil, cujo papel é o de provedor de recursos (mineral, alimentar e financeiro) para a corja comunista.

  19. 72 Jorandir Gegoski 14/04/2014 14:08

    Parabéns pela reportagem. Maria da Conceição Tavares como sempre admirável. Quanto as críticas ao PT, parece que a maioria dos internautas vive noutro país. O Brasil de Lula e Dilma e excepcionalmente melhor do que o dos governos que vocês tem saudades. Qual partido no mundo criou mais de 20 milhões de empregos em 11 anos. NA educação o PT deu um banho. Novas Universidades federais, institutos Federais Tecnológicos. Facilidades de financiamentos e vagas gratuitas nas universidades. Votei Lula, Votei Dilma e já estou em campanha para reeleição da Dilma. Quero ver meu país mudando prá melhor. Retroceder não.

  20. 71 Lourenço Marins 14/04/2014 14:00

    Fantástico, Maravilhoso e impressionante a Lúcidez com que a professora descreve a situação Econômica e Política Mundial da atualidade. Completamente antenada e ligada aos acontecimentos e tendências Políticas e Sociológicas de nossa época. É simplesmente impressionante. Ela está corretíssima. No início da década de 80 acreditávamos e lutávamos pelo fim da ditadura militar e pela construção de um governo civil com uma política séria e verdadeiramente honesta e transformadora. Para isto nada melhor que um representante do povo, um trabalhador com um partido dos trabalhadores formado por trabalhadores de todos os segmentos além de intelectuais, artistas e religiosos (padres da igreja católica Progressista). Sonhávamos sem medo de ser feliz, com um País mais justo e igualitário com uma política transparente e eficiente. Ao longo do tempo em meio à conturbações políticas movidas a interesses econômicos o PT foi aos poucos perdendo a sua identidade e se deixando levar pelas as alianças e acordos e se descaracterizando ao mesmo tempo em que a sociedade para se defender da inflação e da falta de políticas públicas, passam a ficar imediatistas e egoístas e são reforçados pelo governo néo-liberal de FHC que através de uma política desestatisante, tem como objetivo a privatização de empresas importantes à preço de banana. Da-se início ao famigerado PLANO REAL que zerou a inflação e desempregou milhões de pessoas pelo brasil à fora desarticulando a pequena rede de Proteção Social que a duras penas foi conquistado. Mais maduro e com munição para lutar, o LULA chega a Presidência sem as mesmas convicções de anos atrás mais com disposição para mudar o modelo econômico do País e melhorar a situação caótica em que vivia o povo Brasileiro. Apesar de escândalos e corrupções dentro e fora do Governo, o LULA proporcionou ao Brasil mudanças significativas como aumento das exportações e consequentemente aumento dos empregos, programas socias que possibilitaram em melhoria da qualidade de vida das pessoas que proporcionou mudanças de classes sociais advento esse que jamais aconteceu na história desse País. Devemos reivindicar cada vez mais melhorias e o fim das corrupções, acompanhando o dia a dia dos políticos e suas ações, exigindo a imediata reformas, política, judiciária e tributária de forma objetiva, organizada e ordeira e jamais da forma que vem sendo feita nas manifestações sem organização atirando para tudo que é lado como um oba, oba…

    • Luiz Leite 14/04/2014 15:03

      Prezado Lourenço Martins,
      Peço que não confunda o discurso do PT com a realidade que enfrentamos, sabemos muito bem o que o PT fez pelo Brasil, emparelhar a máquina do estado e com muita competência enfraquecer nossas empresas estatais, a qual me atrevo a dizer que serviram apenas para lavagem de dinheiro. A única coisa que deveria ser boa, foi a distribuição de renda aos menos favorecidos, porém até isso hoje eu vejo apenas voto de cabresto pois é a minoria de eleitores de que o PT precisa para se perpetuar no poder.

  21. 70 luis lopes de moraes 14/04/2014 13:54

    Difícil, muito difícil, entender qualquer teoria econômica ou discurso economista diante da realidade brasileira. Há uma máfia político-partidária comandada pelo amaldiçoado PT, tudo a serviço da corrupção e do roubo. Não há ideologia, não há nenhuma vontade de servir ao povo. Só interesses pessoais voltados para o desvio de verbas públicas e falcatruas. Viva o PT!

  22. 69 osvaldo jorge simoes buschi 14/04/2014 13:41

    Na verdade o Governo ruiu com falsas ilusões de mudança e a esperança cada vez fica longe daqueles que sonham com dias melhores infelismente é utopia de melhores dias que nunca chegaram e não chegarão pela falha de gestão e planejamento…..

  23. 68 danchacon 14/04/2014 13:33

    Blá, blá, blá, e mais blá blá… Chega de tanta ‘conversa fiada’! O Brasil precisa de vergonha na cara. De pessoas (seja lá o que forem) destemidas que olhem realmente as necessidades da população. Os que estão aí há bastante tempo, só geraram legiões de acomodados, pedintes e burros. Terceiro milênio e ainda não destravamos ideias renovadoras comuns a todos. De tanta falta de vergonha na cara do povo, vai sobrar baderna. Será preciso que o povo tome atitudes de filósofos conhecidas: o suicidio – como meio, ou fim do caos?.

  24. 67 Almeidão 14/04/2014 13:32

    Neste momento me encontro próximo a uma reserva indígena, em Presidente Roosevelt, onde há alguns anos atrás índios mataram dezenas de garimpeiros. Acaba de cruzar um ônibus levando pequenos indígenas e outros brasileiros descendentes dos mais variados rincões que vieram construir Rondônia. São crianças, independente de sua cor, etnia, religião. Não acho que o Brasil esteja uma baderna. Há uma crise de parte da classe média urbana com perdas econômicas e sociais. Aposentados, profissionais liberais, parte dos servidores públicos. Há instabilidades como crescimento da inflação, perda de renda de alguns atores econômicos. Há locais que sempre foram uma baderna. Organizar isto leva tempo. A nossa economia passa por momentos críticos, fruto da elevação da própria renda do trabalhador e do custo das empresas, principalmente no item mão-de-obra. Não acho que nossa juventude seja “maconheira e irresponsável”, pois tenho dois filhos universitários que levam a sério suas graduações em Universidades Federais. Devemos melhorar a Educação, melhorar a Segurança Pública com soluções simples e mais adequadas ao nosso país. A Saúde é precária, mas é inclusiva. Há pouco mais de 22 anos o Estado Brasileiro que só atendia aos “bem nascidos ou endinheirados” agora atende a toda a população, inclusive aos estrangeiros que por aqui passam ou vem se tratar. Não há mais a figura do cidadão que morria a míngua como regra, trabalhava por um prato de pão, com pés descalços e que morria como indigente numa choupana. Crianças que não iam para a escola para servir de mão-de-obra barata. Há erros, há. Porém temos muito mais acertos.

    • katiokinha 14/04/2014 15:25

      Vc tem toda razão! Hoje todo mundo é cidadão, mesmo dormindo no chão! A saúde é um lixo, assim como a segurança e a educação! Hj não se morre à míngua. Hj mata-se, assassina-se, à míngua, por negligência, por falta de humanidade, por falta de formação. Vc tem toda razão! Antes se trabalhava por um prato de comida e até por um pedaço de pão. Conheço muitas famílias, hoje, que pro dinheiro chegar até o fim do mês, comem só macarrão. Hj ninguém mais vai morrer de fome, talvez de tuberculose, escorbuto. No mínimo uma desnutrição! O problema está na comunicação, na religião, na formação, na elevação, na solução, na população, no cidadão, no estadão. Eu, por exemplo, moro em uma choupana, mas com alicerce a base de vergalhão. E mundão!!!!!! Que satisfação!!! Só gratidão. Um abraço Almeidão e me informa qual é a sua região!!!!!

    • luiz carlos 14/04/2014 13:55

      Concordo com voce. A questão da inflação acho um pouco sazonal. Boa parte e em virtude do período de estiagem. Poucos alimentos, e uma classe trabalhadora com recursos para comprar.
      A logica e os preços subir. O governo poderia prever isso? Ate poderia, mas a seca foi um ponto muito fora da curva, sem possibilidade de previsão mais precisa. A questão da saúde, também e outro ponto fora da curva. Com o pleno emprego, muito mais gente passou a ter plano de saúde, e sobrecarregou o sistema, e as empresas não tiveram tempo pra se adequar. Desta maneira também, entra a lei da oferta e da procura. Mais gente procurando por saúde, e poucos médicos, o preço sobe, e nem as operadoras de planos não suportaram. Leva algum tempo pra se acomodar. A questão dos escanda-los, isso sempre teve em todos os governos. Algum tempo atrás se jogava pra debaixo do tapete, hoje não.

  25. 66 Fabiana SDE 14/04/2014 12:45

    A professora continua lúcida e ativamente pensante!
    A questão é que estamos tão ligados à ideia de uma utopia abstrata, tradicional, que não somos mais capazes de perceber a urgência de uma utopia concreta, em que tudo teria início e fim no próprio homem. Vemos a sujeira espalhada em todas as instâncias do poder, mas preferimos acreditar que só um partido tem culpa. É bem mais fácil!
    “Mudar o mundo, amigo Sancho, não é loucura nem utopia, mas sim justiça” (Dom Quixote).

  26. 65 Celso 14/04/2014 12:20

    Professora, a qual respeito, mas não admiro, pois sua utopia socialista é assassina (de pessoas e de projetos de nação). Hoje a utopia correta é um país que tenha, nesta ordem: 1) educação como meta, 2) disciplina como sistema, e 3) trabalho como ferramenta. É com essas ferramentas, e não com sonhos embalados pela baderna e pela fumaça da maconha, que atingiremos nossa utopia de grande nação brasileira.

    • luiz carlos 14/04/2014 13:45

      Nesta sua proposta. Dane-se a democracia. Minorias que se ferrem. Educação pros ricos, e para os pobres disciplina de métodos, ou o chicote. Trabalho sim, se for preciso usar as minorias como escravos. Os gregos já tinha uma sociedade assim. Perfeita pros gregos, menos pros infelizes escravos.

  27. 64 Carlos 14/04/2014 12:13

    Gostei de ler a análise. Parece que há idealistas misturados a egoístas. Mais destes. Seja o que for que não deu certo, se aproximar de grandes utopias, não é tarefa rápida e fácil.

  28. 63 carlos seixas 14/04/2014 11:37

    Acho que seja muito duro para esta grande senhora da economia ver que a utopia pela qual ela lutou durante sua vida na prática era falsa. Infelizmente o PT conseguiu realizar isso. Hoje temos a certeza que quem é petista NÃO é brasileiro.

    • Maria do carmo 14/04/2014 13:34

      Dever ser fala de um tucano ou de um extrema esquerda recalcado.

    • geraldo figueiredo de almeida 14/04/2014 12:59

      Acho muito duro ver este pensamento,só por ser petista não é Brasileiro
      Só poder do PSDB a destruição deste deste terra

  29. 62 dirceu 14/04/2014 11:32

    Meter o páu era fácil, e ela sempre criticou sem apresentar idéias …só criticas chulas e pesadas ….quando a “tchurma” assumiu o brinquedo não tinham certeza de nada e foram pedir a benção do Delfin …( inclusive esta Senhora que sempre foi velha e rabugenta )

    • Carlos 14/04/2014 12:02

      Não ataque a pessoa, mas as ideias dela com argumentos claros.

      • ronaldo 14/04/2014 13:13

        Mas essa é a atitude da oposição. Ofender. Recebo dezenas de emeils dessa corja ofendendo a Presidente da Republica, numa dela aparecendo uma montagem de Dilma nua. E é essa mesma corja que vem crucificar o PT?

  30. 61 dirceu 14/04/2014 11:30

    Meter o páu era fácil ….quando a “tchurma” assumiu o brinquedo não tinham certeza de nada e foram pedir a benção do Delfin …( inclusive esta Senhora que sempre foi velha e rabugenta )

    • Luiz Leite 14/04/2014 14:47

      Dirceu,

      Me lembro muito bem das críticas desta senhora com relação às políticas sociais e econômicas do PSDB, Durante estes 12 anos de PT me perguntei onde esta Senhora se encontrava para avaliar as políticas sociais e econômicas do PT. Eis que agora ela foi obrigada a aparecer, obviamente para receber algum prêmio do PT por ter se calado todos estes anos. Mas vou entender que esta crítica tipo um tapinha não doi, alguma coisa insuportável para ela, pois me pergunto quando ela percebeu que assim como nós também foi enganada.
      Meu recado para ela é o seguinte: “Sra. Maria da Conceição Tavares, vá também para as ruas protestar”!!!!!!! Pois errar é humano.

  31. 60 Edison 14/04/2014 10:55

    Nessa entrevista o que dá para notar é que Ela está com medo de falar do PT, da Dilma e do LULA porque em 12 anos de PT eles estragaram tudo e todo o sacrifício que o POVO Brasileiro fez em Governos anteriores. E o que falta na Juventude é EDUCAÇÃO e Ela sabe muito bem disso quando diz que essa juventude de merda, falta ousadia pelo menos na forma de pensar.

  32. 59 Max 14/04/2014 10:34

    a mulher com toda a inteligencia dela só fala em utopia, distopia, miopia, biopia, triopia, bundopia, lixopia, pia de cozinha… tudo bem querer dar sua opinião, igual eu estou fazendo agora, mas se for pra ficar em cima do muro, fica calada que é melhor, ou vc é contra o momento, o governo, a situação atual do país, então fala que tá tudo uma merda e chama as pessoas a votar nulo em outubro, se vc acha que tá tudo legal e todo mundo tá feliz, então pede as pessoas pra votar no pt e lutar para instalação do comunismo no brasil. não vem falar de viagem torta como se tudo acontecesse por causa do povo, que ninguem sabe o que quer, não dá pra saber o que vai acontecer, não imagina como vai ser o futuro, que as coisas podem ser ruins ou boas, que o povo precisa viajar na maionese pra ser feliz e vamos todos fumar maconha.

  33. 58 José Galvão 14/04/2014 10:27

    Lúcida, como sempre, Conceição!

  34. 57 Carlos 14/04/2014 10:17

    Nenhum comentário?!!!!! Provavelmente estão a censurar as opiniões… Realmente não há lugar para Utopias nessa sociedade ridícula e tacanha.

    • Rodrigo de Almeida 14/04/2014 10:35

      Prezado Carlos, não há censura nos comentários. A demora na publicação dos mesmos deve-se ao sistema de comentários do iG, que infelizmente não permite publicação imediata. Como você pode perceber nesta Pensata, há sempre muitos comentários críticos (e alguns elogiosos). Sem distinção. Abraço

  35. 56 Pablo 14/04/2014 10:13

    Admirável a professora, espero que consigamos uma nova utopia para a qual lutar o mais breve possível…

  36. 55 alberto pacheco 14/04/2014 10:09

    COM 84 ANOS DE IDADE AINDA NAO PERCEBEU A DESGRAÇA SOCIAL QUE O PT FEZ NO BRASIL ? OU TA COMPRADA, OU NAO APRENDEU NADA NA VIDA

  37. 54 Teotonio Dias 14/04/2014 10:07

    Parabéns, uma reportagem para ficar na história.
    Uma descodificação desta época “estamos de pés e mãos atadas” num misto de satisfação com insatisfação e sem saber o que fazer.
    Seria a inteligencia ou a moral que ainda esta na Idade Média?

  38. 53 BRAGA-BH 14/04/2014 9:49

    Maria da Conceição ,e uma das poucas autoridades econômicas que não necessitam das bençãos de nenhum governo, de nenhuma autoridade financeira. Com sua forma impar de descrever a economia, inclusive com os palavrões, ela é capaz de sacar o momento do país como nenhum outro ser. ë de uma intelectualidade e de uma sagacidade impar! Melhor nossos psudos inteleto-economistas-financistas ouvirem-na enquanto ainda é tempo!

  39. 52 Edson Cardin 14/04/2014 9:48

    Será que ela tem Memoria curta; na era Colo de Melo.
    Edson Cardin

  40. 51 Carlos Antônio 14/04/2014 9:42

    Ela ajudou a destruir as utopias apoiando esses dirigentes traídores! O nome disso é “derrota histórica”, o tipo de coisa que aconteceu na República de Weimar…

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